sexta-feira, 7 de junho de 2013

A Espera

Este foi o primeiro texto que após escrevê-lo eu resolvi não jogá-lo fora. Não sei se a escrita ou minha aceitação que havia mudado, mas este foi a origem (coragem)... 

*           *           * 

O relógio marca 11h23.
Na mesa ainda há migalhas do café da manhã
A xícara tem uma película grossa de café frio.
Na minha boca a saliva está grossa
O gosto é de uma noite mal-dormida com resquício de um café amargo que se acabou.

Minha visão está embaçada,
Meus olhos estão sujos, remelas transbordam pelos cantos
Maquiados pelas minhas insônias intermitentes
Que me roubam o merecido descanso, ou não.

O ponteiro preguiçoso não avança,
A campainha histérica não grita,
O telefone não geme,
A porta não apanha,
Sua voz não me chama.

Meus cabelos sujos, compridos não mantêm a compostura,
Desfeitos como toceiras de colonião após o vento.
Meu rosto cinza e perigoso pela barba por fazer,
Crescida pela preguiça e pelo desgosto.

Minhas unhas sujas aumentam meus dedos
Que ainda seguram a xícara e raspam as migalhas.
Minhas veias agora mapeiam minha vida,
Roxo-azuladas abaixo da minha pele amarela.

Ainda estou aqui,
Sua voz não me chama,
Ninguém chega,
São 11h23.

sábado, 25 de maio de 2013

Opinião


Discutiram desde os primeiros encontros. Porque ele gostava de cães e ela amava gatos. Porque o melhor dia da semana era sexta-feira, mas não para ele, que preferia o sábado. Assistir ao jogo ouvindo rádio, coisa de maluco, debochava ela. Ou não, rebatia ele. Lavar os cabelos todos os dias; ou em dias alternados. Tomar chope com ou sem colarinho. Ser protestante; ser católico, espírita, budista, ateu.
Com os anos, casaram-se. Igreja ou cartório. Poucos ou muitos convidados. Pela manhã, no inverno; à noite, na primavera. Não tiveram filhos. Ninguém queria. Mas discutiram até sobre os porquês. Ela, porque era mulher de carreira, bem sucedida e sem tempo, Ele, por qualquer motivo diferente do dela. 
Carro branco; moto preta. Macarrão com molho de alcaparras; camarão na moranga. Lispector, a melhor. Hilst, a incomparável. E enquanto ela escutava jazz no home theatre, ele aumentava o volume dos clássicos no headphone
Discutiram muito sobre sexo, o deles, o dos outros, o dos anjos. E sobre a cor do mar, azul, verde, acinzentado. Sobre verduras, estrelas, rodapés, sentimentos, fantasmas, sogras, drogas, duendes, países, escovas de dentes. Cada um — com sua couve ou agrião, com hipernovas ou anãs, com sua Áustria ou Dinamarca —, seguiu em frente. Prontos, sempre, para a próxima rodada de opiniões.
Quando ela ficou doente, discutiram sobre o diagnóstico, antes e depois de o médico dizer que era grave. Tratamento tradicional ou alternativo; em casa ou no hospital; com ou sem cirurgia. Ela pediu para morrer, ele disse que não. Ela morreu assim mesmo. 
Ele foi para casa. Fechou as cortinas, arrumou, lavou, recolheu o lixo. Recolheu também, em algumas malas, tudo o que era dela. Depois, carregou consigo para o quarto o porta-retratos prateado e o colocou no travesseiro ao seu lado. Antes de dormir, disse para a foto dela: "Você diz que morreu. Mas amanhã nós vamos discutir sobre isso, viu?".
 

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Serei...???




Serei areia
onde dorme sereia?
Serei seu canto,
seu pranto,
acalanto?
Serei tão
seriamente surdo
que não ouço
suas escamas
a brilhar ao luar?

PAR - PT
22.05.13
19:00

Serei sereno
calado, ameno
seresta
de orquestra
muda
que não toque
não iluda...

Sonho
aqui sentado
que um dia serei
a cereja do bolo de alguém
por enquanto
sou o bobo da corte do rei
do corte do rei...

Serei
saudade...

Velho - BR
22..05.13
15:00


terça-feira, 7 de maio de 2013

E Se...?

Olá a todos! Primeiramente gostaria de agradecer ao "Autores S/A" pela oportunidade de contribuir com este vasto e diverso conteúdo. Nesta minha primeira publicação, gostaria de propor este texto "E Se...?" que tem um grande valor e importância para mim. Espero que gostem! 

Abraços a todos...e vamos nos vendo por aqui... 

*          *          *


Quando você se pergunta:
“E se o momento não for o certo, ou se as coisas correm mais que o calendário – ou o relógio?!
E se a poeira ainda não baixou, ou se as feridas ainda não fecharam, ou se palavras ainda doerem e as lembranças ainda rondarem?
E se não for a pessoa certa, ou se for o começo de mais um fim, ou se for pior dos infernos que volta a se formar?
E se as coisas saírem do controle, ou se ainda estão sob controle, ou se é loucura?

E se for a coisa certa a se fazer, ou se for tudo o que foi procurado agora batendo à porta, ou metade?
E se for um começo diferente, uma coisa diferente, estranha, ou quem sabe algo predestinado?
Mas se não for isso? E se for o que sempre foi? E se estiver errado? Está errado? Tudo?”

É quando eu lhe pergunto:
“E se o que está por vir for a pior das coisas? O pior dos fins - e não o último?
E se não houver controle? E não houver como e porque controlar?
Mas e se for o fim? O maldito fim que tanto fugiu? Que tanto foi procurado e buscado?
E se for um começo único e último?
E se for tudo o que foi negado? E se for o motivo de tantos calos?

E se amanhã os ‘eu’ não mais o serem? E se amanhã a encontrarmos esperando atrás da porta?
E se amanhã Deus se revelar um tirano sarcástico e der seu basta em uma fúria incontrolável?
E se amanhã eu não puder lhe desejar ao menos bom dia? E se estas forem as últimas palavras?
E se esse amanhã for hoje? Daqui um pouco? Agora? Nem tchau?

E se amanhã não for nada disso e isso tudo se tornar apenas um nada? Ido, passado, quem sabe lembrado ou até desejado, mas ido!
E se, seja lá o que for amanhã, se perguntar ‘e se?’ e a resposta for ‘não sei, quem sabe’?
Ninguém sabe e nem se importará, pois já foi!”

Larga suas pedras! Solta as correntes e liberta seus pensamentos, suas perguntas, suas angústias e deixa-os voar para longe e lhe trazerem sonhos para serem vividos: nesta vida ainda!

E quando assim escolher, olha em volta e me verá, pronto!
Caminhe em minha direção, faça-o a passos largos, de braços abertos, sem sentir as pernas, mas o vento em seu rosto, e sorria ao balanço único deste caminhar. Caminhe com seu todo, seu tudo!
E seus olhos brilharão aos meus, seu sorriso será gargalhada às minhas, e flutuará a mim!
E quando a mim chegar, enxugarei suas lágrimas com meu rosto, limparei seu sangue com meu corpo, fecharei suas feridas com meu toque.
Perca-se em meus braços como me perco nos seus.
E será com o meu mais verdadeiro e mal-intencionado beijo que lhe mostrarei que não estou nem atrás nem a sua frente, mas ao seu lado, sem “e se”; apenas sendo!


Rafael Castellar das Neves - Desce Mais Uma!

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Cartas rápidas.












“Momento PARDante”





por mares

nunca

por Dante

navegados

segue O Velho

bilhete

na garrafa

papel em branco

vazio de letras

que tudo

que queria dizer

pareceu

irrelevante

frente à possibilidade

de leres

nas entrelinhas

daquilo que não

foi escrito

a PAR do que

o teu pensamento

poderá criar...





PAR - PT 05 FEVEREIRO 2013

13:45




&*&*&*&*&*&












“PAR de dois”





Par de dois

sempre pode ser um,

o mistério se decifra

nas entranhas do oceano

que de tão pequeno

não separa

velhos corações.




o VELHO

se renova

quando sova letras indiferentes

no passado presente

de um PAR de rimas...




o VELHO PAR

se afina..."





Dante Pincelli O Velho-BR 05 FEVEREIRO 2013

13:49

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Mais


Mais. Esse sempre foi o maior problema da sua vida. Mais abandono, mais tristeza, mais revolta. Tudo feito de exagero e atrevimento. Comia, chorava, sofria a mais. E amou demais, com um desses afetos que não se sabe se arrancam a alma ou se pisam a existência. Foi tomado de um amor carnívoro, urgente em consumir, apressado em seguir adiante, em direção a mais corpos, mais sexo, mais despedidas, mais silêncios.
Tornou-se, assim, homem desconfiado, complexado, tímido. Muito além do que deveria ser um homem razoavelmente feliz. E incapaz de ser ou de ter em metades, em poucos, perseguiu os excessos até a imensidão do nada.
Em um tempo já de muitos nadas, descobriu a bebida. A companheira que o fez mais alegre, mais falante, mais próximo daqueles que se juntavam a ele em seu abismo fundo e escarpado de carências plurais. Marcaram encontros semanais, depois diários, até que se decidiram, finalmente, por um mesmo teto.
Deixou de ser visto nas ruas. E nos botecos. Ou sentado na sarjeta com a cabeça entre as mãos, barba por fazer, unhas sujas. As garrafas, em cores várias de ilusão, desapareceram da lixeira grande que fica em frente a casa. Recolheram-se com ele ao chão imundo do quarto que fede a desistência.
Ele está lá. Ainda está. Dentro da casa branca de paredes descascadas. No quarto de chão fedido. Dizem que insiste com a morte para que venha mais cedo, mais rápida, mais ávida. Para convidá-lá, abre mais uma garrafa. E brinda. Muitas vezes.
... Mais...
Esse sempre foi o maior problema da sua vida.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

móbile


por quantos caminhos haveremos de passar então? enquanto o silêncio percorre veias e cicatrizes e abre espaço para esse desamparo lento. eu que não sei principiar  o mundo com adjetivos. esqueço. e às vezes ouso fazer a pergunta pior e me debater entre o suor frio e o medo afiado da incompreensão. eu que mal posso dizer eu e digo, contrariando a ordem certa das coisas indizíveis, sigo. tentando aprender  o que se quer leve e bonito, sem o peso das certezas fáceis, sem esses ombros caídos. é tarde e o corpo já dói. mistura de vida seca que não se quer mais na aridez dos mistérios. enquanto fujo do que é prolixo me pego às voltas com essas repetições todas.  ecos de mim, sabe? o azul reverberando pela sala, pela casa, pela vida toda que se era, sempre sem saber. e é quase sem querer que tenho passos quase sempre trôpegos. as incertezas em minhas mãos fazendo cirandas. fico pintando em cores de derrota as paredes e os ventos do quarto. e me gabarito na hesitação. mas se é sem fim a noite e já não há mais festa cabível, o que se há que fazer além de habituar-se? há que trocar as roupas então, refazer cama rima corpo e pele, semente. se despir dos medos e dos velhos modos. beijar a vida assim crua que vai se abrindo.  se abrindo se abrindo. nessa reinvenção diária de todas as versões do que vou sendo. mesmo sem me saber bem.

domingo, 7 de abril de 2013

quinto


a canção repetia:

...que parece que estou carregando os pecados do mundo.
...que parece que estou carregando os pecados do mundo.

como um refrão de acusação
uma constatação relativa baseado
em particular perspectiva sem nenhuma confirmação divina

a primeira canção da estrada que ouvia na radio
embalava estranhos sonhos de viagem

o que teria vivido se abandonasse a casa paterna
e movido pelo rock rural partisse sem destino pela estrada

seria possível recuperar nessa altura da vida essa jovialidade ingênua
seria possível ainda cantar o refrão da antiga canção

tantos anos  passaram quase despercebidos
quebrando certezas
restou apenas a primeira canção da estrada
quase intacta cantada na radio imaginária
insistentemente tocada dentro da saudade de um tempo que não aconteceu.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Um palco para o crepúsculo

 
Finalmente o crepúsculo. Esta hora de sombras indecisas que se despedem da luz. Eu me pergunto para que tantas manhãs de claridade se é para o ocaso que sempre nos arrastam as tardes.

Já não escuto o pássaro que canta na janela do meu quarto. Ele se cala com medo de tanta noite. Tudo o que me resta é o presente, esta hora acinzentada. E eu não gosto do cinza. Nem do presente, esse gatuno oportunista, desconcertante. Que deixa intactos os cristais, a prataria, os quadros, o piano de cauda. E carrega os sentidos. E as pessoas. Quer-nos a todos mortos.

Mas por que estou aqui falando de mim? Como se fosse minha vontade colher dó e lágrimas. Não! Chega de piedade fabricada à esmola! É inútil. Além do mais, não há por que prantear o meu outono se a mim sempre agradaram as folhas amarelas e o vento cometido em rajadas de posse. Agradam-me as rugas do meu rosto que se esvai em anos. Eu as meço apenas em lembranças. Há esplendor plantado nestes sulcos, nestas linhas irregulares.

O que não há é tempo para os detalhes. Vocês aí, nesse teatro semiescuro, mal se concentrando em esperar a minha ida. Querendo a urgência do defunto vivo. Abutres! Criaturas arrogantes que se acreditam diferentes de mim! Pois vou lhes contar um segredo: quando chegar a sua hora, farão exatamente como eu. O mesmo apego ao passado, as mesmas lembranças. O mesmo corpo ainda sentindo desejo. A mesma espera por uma cama quente, por um arrepio, por um sexo que alivie qualquer dor.  Vocês farão exatamente como eu! Vão se agarrar a esse olhar para dentro, para trás, de forma a não verem no relógio do tempo que não há mais tempo.

O que vocês não sabem é como fazer. Ainda. Mas eu posso lhes mostrar como não se entristecer quando a plateia se esvazia. E tentarei fazer das suas almas, como fiz com a minha, um lugar de coxias e cortinas. E lhes direi que o passado é a única certeza que nos deve mover. Porque nele não há mais a ansiedade da mudança. E lhes direi que fujam do presente. Porque a realidade é equívoco.

Enfim, quando os panos de boca subirem pela última vez, eu lhes direi que não se inquietem com o silêncio dos aplausos que se foram. É hora de colher algazarra na memória. É hora de solidão. Nosso melhor papel.

sexta-feira, 8 de março de 2013

de vagalumes e esperas


era como um eco, sabe. a realidade toda descolorida, manchada. as incompreensões todas espalhadas pelo chão da sala. eram os anos, passando. os meses, os dias. as manhãs que se abrem e fecham. era amor? as verdades recolhidas, oculta nos velhos retratos. eram as fotos queimadas, os olhos vermelhos pelo choro. era o cigarro, a espuma, o verso, o mandamento. o escuro, as visitas inesperadas, as horas sem cabimento. a vodca. o gelo seco. o gole raso. as distâncias e imprecisões todas, todas. era maior, o silêncio. era maior, a falta de paz, a impaciência. e depois, todas as coisas indignas. tudo em tom menor. tudo menor, ainda que não. tudo menor, ainda que sempre. como um quase, sabe? mesmo que quase seja um tanto odiável. antes as coisas doloridas. antes o amargo da língua, antes mesmo a dor. o fel, o absurdo. mas o indizível que vai ganhando espaço e tornando tudo prenhe de outonos e preenchendo todas as memórias e espaços e aí? e aí? alguém aí? alguém atrás da porta, de onde vem os passos soltos e contaminados de mistério sempre válido? eis, então, o mistério! a matéria mais bruta onde todas as coisas se deitam e se projetam, vivas ou estéreis, para o fora. para o sem rumo e para o inalcançável, onde se é tudo e nada. onde se cai e se levanta. e se diz sobre arranhões e protestos e os progressos não são contados no relógio. lá onde o tempo pára e só resta lugar para o inominável. e é já. é agora. mesmo que venha de longe. ecoando, ecoando. ressonâncias nos vazios e esperas. era amor? é? parecia um começo e um fim. e depois um começo. e depois. 




... E, como hoje, 08 de março, se comemora o Dia Internacional das Mulheres, deixo aqui também um pensamento-poema de Clarice, para nos lembrar com toda a intensidade o que somos...

“Não sou uma coisa que agradece ter se transformado em outra. Sou uma mulher, sou uma pessoa, sou uma atenção, sou um corpo olhando pela janela. Assim como a chuva não é grata por não ser uma pedra. Ela é uma chuva.
Talvez seja isso que se poderia chamar de estar vivo. Não mais que isto, mas isto: vivo. E apenas vivo é uma alegria mansa.”

quinta-feira, 7 de março de 2013

síndrome do poente




para minha avó



Todos os dias ela acorda
não reconhece a própria casa
não reconhece os filhos,
os netos.

Quando olha no espelho
enxerga uma menina.

O espelho é o único que não mente.

sábado, 2 de março de 2013

A Última Vez

Bom dia, amigos, leitores e autores s/a,

           

            Antes de registrar qualquer decisão, quero parabenizar e agradecer a todos os autores s/a pelo empenho de cada um de vocês neste mês de fevereiro, para com o blog Autores S/A. Foi gratificante demais ver o blog renascer das cinzas, tanto em estrutura física, quanto em conteúdo, acessos, etc. Pode-se dizer que sim: deu certo dessa vez. Todos publicando, compartilhando suas ideias, emoções; vossas competências literárias ou não literárias; fragmentos de vossas vidas, conselhos. O Autores S/A é um lar acolhedor, é como casa de avó: é gostoso de ficar horas a fio, saboreando cada crepúsculo, ouvindo histórias de vida toda, bebendo arte como quem bebe o cafezinho do sol nascente. Me orgulho por ter sido, junto com a Camila, um dos construtores desse casa que se tornou um lar, pouco a pouco. Nas paredes desse lar, hoje, as identidades de cada um, gravadas, pra eternidade que cabe a um lar de escritores de bem.

            O Autores S/A descobriu o meu potencial e me abrigou. A criatura venerou um de seus criadores, como deve ser. De pai, tornei-me filho: obediente e respeitador. E, humildemente, afirmo que devo o meu crescimento como escritor, nesses três anos, a este lar, esta família. O compromisso que assumi com o blog me disciplinou como escritor, me fez levar a sério o que, antes, para mim, era mero lazer. E ainda o é. Contudo, um lazer que exige dedicação e seriedade. É reproduzir uma realidade com os dedos leves, a alma despojada do concreto diário, comer uma vírgula sorrindo, cuspir um palavrão e se sentir livre dos moldes educacionais, rever o que foi gerado com orgulho de uma missão – desconhecida, nunca ordenada - cumprida.

            Estou deixando o lar. Talvez como o pai que sempre fora “ordeiro, cumpridor, positivo”, que encomendou uma “canoa especial” e se foi; foi habitar a terceira margem de um rio pra tentar compreender melhor o rumo do que foi e do que será.

            Infelizmente, todo filho precisa deixar o lar um dia. E, quando esse dia chega, já não há mais tempo para o sonho: a realidade consome nossas fantasias, nosso leite, nosso pão. Esse dia é inevitável. O concreto pesa mais, é preciso força, mais força. E páginas precisam ser deixadas para trás.

            O que pude fazer, fiz. O que pude doar, doei. Até o que não podia. Não quero traçar linhas tortas. Prefiro me eximir do mal feito, prefiro reconhecer que já não cabe mais a mim essa tarefa. Prefiro me ausentar de algumas frustrações neste campo que foi feito pra se colher magia. O lar está arrumado, cada coisa em seu lugar. Mantenham a casa limpa, ordenada e, sobretudo, viva; posto que uma casa que vive é um lar. Estarei longe e perto, em minha terceira margem, a aclamá-los, a torcer pela perseverança de cada um de vocês.

            Foi um sonho enquanto durou. Cedo ou tarde, essa hora chegaria. É um ciclo, certo?

            Asseguro, somente, a continuidade do I Concurso de Minicontos. Esta foi uma responsabilidade assumida para com muitos, e irei finalizá-la com o cuidado que sempre competiu a mim.    

Sigam em frente, autores s/a. O leme está em vossas confiáveis mãos.

           
            Profundamente grato,

            Lohan Lage Pignone

            (27/02/2013)

 

 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Filho





Bebeu três ou quatro goles de água. Como se quisesse hidratar a coragem. Não tinha o que dizer. Não encontrava o que pudesse dizer ao filho. Tinha ensaiado umas poucas, curtas frases. Mas não lembrava, agora, onde havia guardado as palavras. Quis recompor a memória entre um passo e outro. Passos lentos no corredor comprido. Voltou nos anos. Pegou novamente nos braços o corpinho pequeno do filho. Sentiu o cheiro bom daquela pele macia. E descobriu onde Deus tinha deixado os seus melhores anjos. As mãos de bebê incrivelmente fortes. Agarrando o dedo dele numa confirmação de posse. Noites de sono no sofá da sala. O menino no colo; ele, nas nuvens de um céu a dois. Cantando coisas idiotas que falavam de bois e de cucas. Olhos nos olhos. Pra ver quem piscava primeiro. Pestanas com pestanas, pra fazer cócegas, dar gargalhadas. Futebol com bola colorida. Bichos de pelúcia transmudados em monstros, dragões, cavaleiros. Robôs e carros de metal. Movidos à pilha, bateria e dinheiro. O dele, sempre esticado em milagre. Coisa de pai. Pai de zoológico, de piscina, de corte de cabelo no barbeiro. Coisa de homem. Dever de casa complicado — no tempo dele era mais fácil. Viagens de verão. Uma vez para conhecer o mar. Muitas outras, acampados no quintal, domando feras, caçando quimeras, cruzando o oceano das poças. O primeiro cabelo no pênis. Mostrado com vergonha no chuveiro. As primeiras perguntas difíceis. Feitas a ele, não aos amigos. Orgulho de ser pai e confidente. Um gole de cerveja escondido da mãe, só um. Pra aprender em casa o gosto da rua. Faculdade de Engenharia. Como ele. No primeiro vestibular. Formatura com direito a viagem. Pra Nova Iorque, junto com a turma. Bolso esticado mais uma vez em milagre de pai. Dívida grande. Grandes expectativas. A ligação importante, chamando para o emprego dos sonhos — o primeiro sempre é. A ligação do hospital. Chamando para o pesadelo.
A água do copo acabou. Entrou no quarto sem frase na boca ou na memória. Olhos nos olhos. Nenhum dos dois piscou. Pegou nos braços o corpo semi-imóvel, semivivo do filho. Delicadamente. Sentiu o cheiro podre do acidente. Descobriu o que Deus fazia com seus melhores anjos. A mão incrivelmente fraca encostou no dedo dele. Esticou uma coragem do bolso da alma. E cantou cantigas de bois e de cucas. Até que seu menino foi brincar de infinito.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Refresco de Caroço


 

Mulher de homem não pôr defeito.
Sexo frágil é uma piada.
É jogo de carta marcada.
É papo de quem tem preconceito.

É conceito sem cabimento
E receita que desanda.
Para homem que pouco sabe
Só mulher que muito manda.

Sem mandinga, sem quebranto
Sem milonga, sem demanda…
Para homem que sabe nada
Só mulher que tira onda.

Mulher pau de dar em louco.
Colher de pau, angu de caroço.
Pimenta e água de coco
Na boca de quem quer refresco.

Mulher que dá pouco troco
Para homem que paga muito.
Que rouba cena de novela
E deixa as bocas sem assunto.


Paulo Acácio Ramos + Dante Pincelli
"O Velho PAR"


quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

O custo do amor

 (*Por Carla Zeglio)

Ah o amor... Tão discutido em prosa e verso.

Uma vez ouvi uma pessoa relatar que para demonstrar o amor pela parceria teria de dar provas constantes sobre ele. Quando peço exemplos o que recebo de resposta é: jantares especiais, presentes caros e assim tinha a certeza de que agradaria a parceria e seria amado.

Muitas pessoas confundem o amor com troca financeira. Não que não seja legal, ter uma graninha, para fazermos carinhos e agrados a nossa parceria, mas só a troca de presentes bons jantares certamente não será uma maneira de fazer a manutenção da relação com qualidade.

Que papo besta esse seu, Carla... Muito melhor chorar na França. Pois é...

Escrevo, pois venho falar de envolvimento afetivo. Capacidade de suportar frustrações na vida a dois que dinheiro nenhum paga... Na volta da França teremos de nos olhar nos olhos outra vez. E ai?

A maioria dos casais que ouvi e ouço, além de amigos e amigas (todos considerados pessoas que estão buscando um padrão de relacionamento com estabilidade emocional), é que existe dificuldade de manter a relação a dois mesmo quando se tem dinheiro se não temos demonstrações de afeto. A falta de grana pode ser um problema. Não falo de amor e uma cabana. Não discuto uma visão romântica de relacionamento... Se assim fosse, teríamos de suportar as princesas e seus príncipes em viagens estonteantes e caríssimas, com qualidade de vida e com o final de foram felizes para sempre. Bonito, né? Só nos livros e filmes de Walt Disney e Cia.

Viver a dois implica em algo mais.

Numa disposição para dar conta do seu sofrimento e do outro... Em celebrar sua alegria e a do outro. Respeitar a ambição sua e do outro. Conviver com a sua família e a do outro... Com a sua sogra e a do outro. (agora eu ri). A sogra do outro é sua mãe.

Saber que o casal não é uma ilha. Muitas vezes acreditam que sejam.

Enquanto escrevo, me vem à cabeça um casal muito querido, que morou anos fora do Brasil, pois ele estava bem colocado numa empresa. De repente, a empresa é vendida e ele perde o emprego. Sem condições de se manterem no país que estavam, decidem voltar ao Brasil, ‘a cidade de origem dele. Que ela conhece muito bem, diga-se de passagem.

De inicio ela sente-se mal com a pobreza, o não poder deixar o guarda-chuva na rua sem que o furtem, as balas perdidas na cidade que mora, as filas do banco, problemas com a Vivo, TIM, Claro, Oi.

Ela me diz: - Não era assim lá no país que morei.

Respondo: A realidade hoje é outra. Você já a conhece. Não tem nada de novo. A situação real é aqui. Não adianta querer algo que hoje é impossível.

Podemos planejar outra volta para lá. Hoje sua verdade é aqui.

Ela me conta que seu companheiro diz a mesma coisa. Lembrando que foi ele quem perdeu o emprego, a estabilidade, a tranquilidade e vive uma sensação de medo, insegurança, incompetência, etc.

Uma semana e meia depois voltamos a conversar e ela me conta que ele está em profundo estado de tristeza como o que ela estava num momento anterior. Que só consegue ver situações ruins na nova-velha cidade, mesmo tendo guardado dinheiro suficiente para jantarem em bons lugares, dar presentes caros e viverem bem.

Ela me diz que tenta ajudá-lo dizendo que a situação está cômoda e confortável. Que não faltará nada. Que tem dinheiro para uma vida confortável.

Ele responde que precisa estar bem com ele para poder estar bem com ela.

Ela sente-se deixada de lado. Pouco importante. E realmente está, com menos importância no momento.

Em alguns momentos a dor individual é tão grande que a parceria deixa de ser foco de nossas preocupações. Não por falta de amor. E sim, por ter de cuidarmos de nós primeiro. Se não existe o eu, não existiremos nós.

Ele afirma que só será de novo, ele mesmo quando tiver um emprego e sentir-se inteiro novamente conseguirá voltar a ser nós.

No momento em que percebe que não é fonte de receber afetos positivos. Ela me diz que vai cuidar dele, pois com ele ela quer ficar, mesmo num momento de crise como esse. Muitas vezes a crise no casal se dá a partir de crises individuais. Se ela não compreendesse o momento seria um peso a mais na dor deste parceiro.

Uma amiga querida de nome Louise, psicóloga também, brinca dizendo a verdade de que o amor muitas vezes precisa de vedação. Senão morre de infiltração. Com dinheiro ou não.

Na crise, uma viagem a França certamente será péssima. Na crise costumamos perder o contato olho no olho. Perdemos a capacidade de sermos assertivos na nossa necessidade. Perdemos a noção de qual o valor do dinheiro. Pobre casal rico. Que deixa a graça de comer sanduíches, sentados juntos no chão da sala, no sábado a noite pela obrigatoriedade do Glamour como manutenção do amor. Se não existe troca justa de afeto... Não existe troca justa de cheques. Em algum momento, falta algo que o dinheiro não compra.


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

As Apostas do Bolão do Oscar 2013 (COM VENCEDORES)

RESULTADO DO BOLÃO DO OSCAR 2013 AUTORES S/A:

1º EDWEINE LOUREIRO - 17 ACERTOS
2º FERNANDO PIGNONE E LUÍS SILVA - 16 ACERTOS CADA UM (tudo empatado)
3º ANDERSON TORRES MARTINS - 16 ACERTOS
4º LOHAN LAGE - 15 ACERTOS
5º MARIA CLARA - 15 ACERTOS
6º VINÍCIUS DE VITA - 15 ACERTOS
7º EDILAINE DE CASTRO - 14 ACERTOS
8º ANDRÉ CAMPOS - 14 ACERTOS
9º LEANDRO CARVALHO - 14 ACERTOS
10º LILLY ARAÚJO - 13 ACERTOS
11º LEONARDO DE CASTRO - 12 ACERTOS
12º MATHEUS TOZZATO - 12 ACERTOS
14º CINTHIA KRIEMLER - 08 ACERTOS
15º MARCELO ASTH - 08 ACERTOS
16º ROBSON RIBEIRO - 08 ACERTOS
17º FLÁVIO MACHADO - 08 ACERTOS
18º ANA BEATRIZ - 07 ACERTOS
19º JACQUELINE SALGADO - 06 ACERTOS

PARABÉNS, EDWEINE LOUREIRO!!





            Olá, amigos!

            Conforme tratado no regulamento do Bolão do Oscar 2013 do Autores S/A, hoje, 4 dias antes da cerimônia do Oscar, as apostas de todos os participantes serão publicadas nesta postagem, a fim de que todos os apostadores tenham ciência da opinião de seus concorrentes, prezando pela transparência da brincadeira.

            Todas as categorias e seus respectivos indicados estarão dispostas. Logo abaixo do nome do indicado, será registrado o nome da pessoa que decidiu apostar nele.

            Sugiro que tomem nota, se possível, das informações contidas nesta postagem e confiram, após o Oscar, quem obteve maior número de acertos. Desejo boa sorte a todos!


 

PARTICIPANTES:





·         Ana Beatriz Manier (RJ): doou o filme “Último tango em Paris”, de Bernardo Bertolucci.

·         Anderson Torres (RJ): doou o filme “O Leitor”, de Stephen Daldry

·         André Campos (ES): doou o filme “Elsa e Fred”, de Marcos Carnevale.

·         Cinthia Kriemler (DF): doou o filme “Gritos e Sussurros”, de Ingmar Bergman

·         Edilaine de Castro (RJ): doou o filme “Flor Selvagem”, de Melissa Painter.

·         Edweine Loureiro (Japão): doou o filme “A Partida”, de Yojiro Takita.

·         Fernando Pignone (RJ): doou o filme “A Fúria”, de Frank A. Capello.

·         Flávio Machado (RJ): doou o filme “Sonhos”, de Akira Kurosawa

·         Jacqueline Salgado (SP): doou o filme “O Nome da Rosa”, de Jean-Jacques Annaud.

·         Leandro Carvalho (RJ): doou o filme “Reis e ratos”, de Mauro Lima.

·         Leonardo de Castro (RJ): doou o filme “Alguém para dividir sonhos”, de Tim Hunter.

·         Lilly Araújo (GO): doou o filme “O Labirinto do Fauno” de Guillermo del Toro

·         Lohan Lage (RJ): doou o filme “Inquietos”, de Gus Van Sant

·         Luís Silva (RJ): doou o filme “Ao cair da noite”, de Roger Vadim.

·         Marcelo Asth (RJ): doou o filme “Curtas da Pixar” (vários diretores).

·         Maria Clara Souza (RJ): doou o filme “Simplesmente feliz”, de Mike Leigh

·         Matheus Tozzato (RJ): doou o filme “Batman: o cavaleiro das trevas”, de Christopher Nolan.

·         Robson Ribeiro (RJ): doou o filme “O Palhaço”, de Selton Mello.

·         Simone Prado (RJ): doou o filme “Sessão Mélies”, de George Méliés.

·         Vinícius de Vita (SP): doou o filme “O Artista”, de Michel Hazanavicius.

INDICADOS:

 

Melhor Filme:

 

"Indomável sonhadora"

"O lado bom da vida"

(Matheus Tozzato)

"A hora mais escura"

"Lincoln"

(Leonardo de Castro, André Campos, Cinthia Kriemler, Jacqueline Salgado, Flávio Machado, Robson Ribeiro, Ana Beatriz, Simone Prado, Leandro Carvalho)

"Os Miseráveis"

(Edilaine de Castro)

"As aventuras de Pi"

(Lohan Lage)

"Amor"

"Django livre"

(Marcelo Asth)

"Argo"

(Edweine Loureiro, Fernando Pignone, Anderson Torres, Vinícius de Vita, Luís Silva, Maria Clara, Lilly Araújo)

 

Melhor Diretor:

 

Michael Haneke ("Amor")

(Leandro Carvalho)

Benh Zeitlin ("Indomável sonhadora")

(Marcelo Asth, Anderson Torres)

Ang Lee ("As aventuras de Pi")

(Cinthia Kriemler, Fernando Pignone, Matheus Tozzato, Lohan Lage, Edilaine de Castro, Luís Silva)

Steven Spielberg ("Lincoln")

(Leonardo de Castro, André Campos, Edweine Loureiro, Jacqueline Salgado, Flávio Machado, Robson Ribeiro, Ana Beatriz, Simone Prado, Vinícius de Vita, Maria Clara)

David O. Russell ("O lado bom da vida)

(Lilly Araújo)

 

Melhor Ator:

 

Daniel Day-Lewis ("Lincoln")

(Leonardo de Castro, André Campos, Cinthia Kriemler, Fernando Pignone Matheus Tozzato, Edweine Loureiro, Jacqueline Salgado, Flávio Machado, Robson Ribeiro, Ana Beatriz, Lohan Lage, Simone Prado, Edilaine de Castro, Anderson Torres, Vinícius de Vita, Luís Silva, Maria Clara, Lilly Araújo, Leandro Carvalho)

Denzel Washington ("Voo")

Hugh Jackman ("Os miseráveis")

(Marcelo Asth)

Bradley Cooper ("O lado bom da vida")

Joaquin Phoenix ("O mestre")

 

Melhor Atriz:

 

Naomi Watts ("O impossível")

(Matheus Tozzato)

Jessica Chastain ("A hora mais escura")

(Jacqueline Salgado, Fernando Pignone, Luís Silva)

Jennifer Lawrence ("O lado bom da vida")

(Robson Ribeiro, André Campos, Anderson Torres, Lohan Lage, Vinícius de Vita, Lilly Araújo)

Emmanuelle Riva ("Amor")

(Leonardo de Castro, Cinthia Kriemler, Edweine Loureiro, Marcelo Asth, Flávio Machado, Ana Beatriz, Simone Prado, Edilaine de Castro, Maria Clara, Leandro Carvalho)

Quvenzhané Wallis ("Indomável sonhadora")

 

 

Melhor Ator Coadjuvante:

 

Christoph Waltz ("Django livre")

(Marcelo Asth, Matheus Tozzato, André Campos, Jacqueline Salgado, Simone Prado, Luís Silva, Lilly Araújo, Leandro Carvalho)

Philip Seymour-Hoffman ("O mestre")

(Fernando Pignone, Leonardo de Castro, Maria Clara)

Robert De Niro ("O lado bom da vida")

(Robson Ribeiro, Anderson Torres)

Tommy Lee Jones ("Lincoln")

(Cinthia Kriemler, Edweine Loureiro, Edilaine de Castro, Lohan Lage, Vinícius de Vita)

Alan Arkin ("Argo")

(Flávio Machado, Ana Beatriz)

 

Melhor Atriz Coadjuvante:

 

Sally Field ("Lincoln")

(Marcelo Asth, Jacqueline Salgado, Ana Beatriz)

Anne Hathaway ("Os miseráveis")

(Leonardo de Castro, André Campos, Cinthia Kriemler, Fernando Pignone, Edweine Loureiro, Robson Ribeiro, Edilaine de Castro, Anderson Torres, Lohan Lage, Vinícius de Vita, Luís Silva, Maria Clara, Lilly Araújo, Leandro Carvalho)

Jacki Weaver ("O lado bom da vida")

(Flávio Machado)

Helen Hunt ("As Sessões")

(Matheus Tozzato, Simone Prado)

Amy Adams ("O mestre")

 

 

Melhor Filme Estrangeiro:

 

"Amor" (Áustria)

(Leonardo de Castro, André Campos, Edweine Loureiro, Fernando Pignone, Marcelo Asth, Matheus Tozzato, Jacqueline Salgado, Flávio Machado, Ana Beatriz, Simone Prado, Edilaine de Castro, Anderson Torres, Lohan Lage, Vinícius de Vita, Luís Silva, Maria Clara, Lilly Araújo, Leandro Carvalho)

"No" (Chile)

(Cinthia Kriemler)

"War witch" (Canadá)

"O amante da rainha" (Dinamarca)

(Robson Ribeiro)

"Kon-tiki" (Noruega)

 

Melhor Roteiro Original:

 

Michael Haneke ("Amor")

(Edilaine de Castro)

Quentin Tarantino ("Django livre")

(Edweine Loureiro, André Campos, Fernando Pignone, Marcelo Asth, Matheus Tozzato, Jacqueline Salgado, Robson Ribeiro, Simone Prado, Anderson Torres, Lohan Lage, Vinícius de Vita, Luís Silva, Maria Clara, Lilly Araújo, Leandro Carvalho)

John Gatins ("Voo")

Wes Anderson e Roman Coppola ("Moonrise kingdom")

(Ana Beatriz)

Mark Boal ("A hora mais escura")

(Leonardo de Castro, Cinthia Kriemler, Flávio Machado)

 

Melhor Roteiro Adaptado:

 

Chris Terrio ("Argo")

(Edweine Loureiro, André Campos, Flávio Machado, Vinícius de Vita, Lilly Araújo, Maria Clara, Leandro Carvalho)

Lucy Alibar e Benh Zeitlin ("Indomável sonhadora")

(Marcelo Asth)

David Magee ("As aventuras de Pi")

(Cinthia Kriemler, Edilaine de Castro)

Tony Kushner ("Lincoln")

(Leonardo de Castro, Jacqueline Salgado, Fernando Pignone, Matheus Tozzato, Robson Ribeiro, Simone Prado, Anderson Torres, Luís Silva)

David O. Russell ("O lado bom da vida")

(Ana Beatriz, Lohan Lage)

 

Melhor Animação:

 

"Valente"

(Leonardo de Castro, Marcelo Asth, Fernando Pignone, Flávio Machado, Ana Beatriz, Edilaine de Castro, Lohan Lage, Anderson Torres, Luís Silva)

"Frankenweenie"

(Cinthia Kriemler, Edweine Loureiro, Jacqueline Salgado, Simone Prado)

"ParaNorman"

(Robson Ribeiro)

"Piratas pirados!"

"Detona Ralph"

 (André Campos, Matheus Tozzato, Vinícius de Vita, Maria Clara, Lilly Araújo, Leandro Carvalho)

 

Melhor Documentário em Longa-Metragem:

 

"5 broken cameras"

(Leonardo de Castro, Cinthia Kriemler, Flávio Machado, Simone Prado)

"The gatekeepers"

(Ana Beatriz)

"How to survive a plague"

(Robson Ribeiro, Matheus Tozzato)

"The invisible war"

(Marcelo Asth, Jacqueline Salgado, Lilly Araújo)

"Searching for a sugar man"

(Edweine Loureiro, André Campos, Fernando Pignone, Edilaine de Castro, Anderson Torres, Lohan Lage, Vinícius de Vita, Luís Silva, Maria Clara, Leandro Carvalho)

 

Melhor Documentário em Curta-Metragem:

 

"Inocente"

(Leonardo de Castro, Ana Beatriz, Edilaine de Castro, Matheus Tozzato, Anderson Torres, Vinícius de Vita, Lilly Araújo, Leandro Carvalho)

"Kings point"

(Marcelo Asth, Fernando Pignone, Flávio Machado)

"Mondays at Racine"

(Cinthia Kriemler, Simone Prado, Maria Clara)

"Open heart”

(André Campos, Edweine Loureiro, Lohan Lage)

"Redemption"

(Jacqueline Salgado, Robson Ribeiro, Luís Silva)

 

Melhor Fotografia:

 

"Anna Karenina"

(Marcelo Asth, Lilly Araújo)

"Django livre"

"As aventuras de Pi"

(Leonardo de Castro, André Campos, Cinthia Kriemler, Fernando Pignone, Matheus Tozzato, Edweine Loureiro, Jacqueline Salgado, Flávio Machado, Ana Beatriz, Edilaine de Castro, Simone Prado, Lohan Lage, Anderson Torres, Luís Silva, Maria Clara, Leandro Carvalho)

"Lincoln"

(Robson Ribeiro)

"007 – Operação Skyfall"

(Vinícius de Vita)

 

Melhor Edição (ou Montagem):

 

"Argo"

(Edweine Loureiro, Matheus Tozzato, Anderson Torres, Vinícius de Vita, Maria Clara)

"As aventuras de Pi"

(Jacqueline Salgado, Ana Beatriz, Edilaine de Castro, Lilly Araújo)

"Lincoln"

(Cinthia Kriemler, Marcelo Asth, Flávio Machado, Robson Ribeiro, Simone Prado)

"A hora mais escura"

(Leonardo de Castro, Fernando Pignone, André Campos, Lohan Lage, Luís Silva, Leandro Carvalho)

"O lado bom da vida"

 

Melhor Trilha Sonora Original:

 

Dario Marianelli ("Anna Karenina")

(Marcelo Asth)

Alexandre Desplat ("Argo")

Mychael Danna ("As aventuras de Pi")

(Leonardo de Castro, Fernando Pignone, André Campos, Cinthia Kriemler, Edweine Loureiro, Ana Beatriz, Edilaine de Castro, Simone Prado, Anderson Torres, Lohan Lage, Vinícius de Vita, Luís Silva, Maria Clara, Lilly Araújo, Leandro Carvalho)

John Williams ("Lincoln")

(Jacqueline Salgado, Flávio Machado, Robson Ribeiro)

Thomas Newman ("007 – Operação Skyfall")

(Matheus Tozzato)

 

 

Melhor Canção Original:

 

"Before my time", de "Chasing ice" – J. Ralph (música e letra)

"Everybody needs a best friend", de "Ted" – Walter Murphy (música) e Seth MacFarlane (letra)

"Pi's lullaby", de "As aventuras de Pi" – Mychael Danna (música) e Bombay Jayashri (letra)

"Skyfall", de "007 - Operação Skyfall" – Adele (música e letra)

(Leonardo de Castro, André Campos, Fernando Pignone, Edweine Loureiro, Robson Ribeiro, Matheus Tozzato, Flávio Machado, Edilaine de Castro, Simone Prado, Anderson Torres, Lohan Lage, Vinícius de Vita, Luís Silva, Maria Clara, Lilly Araújo, Leandro Carvalho)

"Suddenly", de "Os miseráveis" – Claude-Michel Schönberg (música), Herbert

Kretzmer (letra) e Alain Boublil (letra)

(Cinthia Kriemler, Marcelo Asth, Jacqueline Salgado, Ana Beatriz)

 

Melhor Efeito Visual:

 

"O hobbit: Uma jornada inesperada"

(Robson Ribeiro, Lilly Araújo)

"As aventuras de Pi"            

(Leonardo de Castro, André Campos, Cinthia Kriemler, Fernando Pignone, Matheus Tozzato, Edweine Loureiro, Marcelo Asth, Jacqueline Salgado, Flávio Machado, Ana Beatriz, Edilaine de Castro, Simone Prado, Anderson Torres, Lohan Lage, Vinícius de Vita, Luís Silva, Maria Clara, Leandro Carvalho)

"Os vingadores"

"Prometheus"

 

Melhor Edição de Som:

 

"Argo"

(Cinthia Kriemler, Edweine Loureiro, Flávio Machado, Simone Prado)

"Django livre"

(Marcelo Asth, Robson Ribeiro, Lilly Araújo)

"As aventuras de Pi"

(André Campos, Leonardo de Castro, Jacqueline Salgado, Ana Beatriz, Edilaine de Castro, Anderson Torres, Vinícius de Vita)

"A hora mais escura"

(Luís Silva)

"007 – Operação Skyfall"

(Matheus Tozzato, Fernando Pignone, Lohan Lage, Maria Clara, Leandro Carvalho)

 

Melhor Mixagem de Som:

 

"Argo"

(Flávio Machado)

"Os miseráveis"

(Leonardo de Castro, Edweine Loureiro, Marcelo Asth, Robson Ribeiro, Edilaine de Castro, Vinícius de Vita, Lilly Araújo)

"As aventuras de Pi"

(André Campos, Cinthia Kriemler, Ana Beatriz, Lohan Lage, Luís Silva)

"Lincoln"

"007 – Operação Skyfall"

(Jacqueline Salgado, Fernando Pignone, Matheus Tozzato, Simone Prado, Anderson Torres, Maria Clara, Leandro Carvalho)

 

 

Melhor Figurino:

 

"Anna Karenina"

(Leonardo de Castro, André Campos, Cinthia Kriemler, Fernando Pignone, Edweine Loureiro, Marcelo Asth, Anderson Torres, Lohan Lage, Vinícius de Vita, Luís Silva, Maria Clara, Leandro Carvalho)

"Os miseráveis"

(Jacqueline Salgado, Edilaine de Castro, Lilly Araújo)

"Lincoln"

(Flávio Machado, Robson Ribeiro, Simone Prado)

"Espelho, espelho meu"

"Branca de Neve e o caçador"

(Matheus Tozzato, Ana Beatriz)

 

 

Melhor Design de Produção (ou Direção de Arte):

 

"Anna Karenina"

(Jacqueline Salgado, André Campos, Simone Prado, Anderson Torres, Vinícius de Vita, Maria Clara, Lilly Araújo)

"O hobbit: Uma jornada inesperada"

(Ana Beatriz)

"Os miseráveis"

(Cinthia Kriemler, Fernando Pignone, Edweine Loureiro, Marcelo Asth, Edilaine de Castro, Lohan Lage, Luís Silva, Leandro Carvalho)

"As aventuras de Pi"

(Matheus Tozzato, Leonardo de Castro)

"Lincoln"

(Flávio Machado, Robson Ribeiro)

 

Melhor Maquiagem e Cabelo:

 

"Hitchcock"

"Os miseráveis"

(Leonardo de Castro, Edweine Loureiro, Fernando Pignone, Flávio Machado, Edilaine de Castro, Anderson Torres)

"O hobbit: Uma jornada inesperada"

(Cintia Kriemler, André Campos, Matheus Tozzato, Marcelo Asth, Jacqueline Salgado, Robson Ribeiro, Ana Beatriz, Simone Prado, Lohan Lage, Vinícius de Vita, Luís Silva, Maria Clara, Lilly Araújo, Leandro Carvalho)

 

 

Melhor Curta-Metragem:

 

"Asad"

(Leonardo de Castro, Ana Beatriz, Edilaine de Castro, Vinícius de Vita)

"Buzkashi boys"

(Jacqueline Salgado, Fernando Pignone, Matheus Tozzato, Anderson Torres, Maria Clara, Lilly Araújo)

"Curfew"

(Edweine Loureiro, Marcelo Asth)

"Death of a shadow (doos van een schaduw)"

(Cinthia Kriemler)

"Henry"

(Flávio Machado, André Campos, Robson Ribeiro, Simone Prado, Lohan Lage, Luís Silva, Leandro Carvalho)

 

Melhor Curta-Metragem de Animação:

 

"Adam and dog"

(Marcelo Asth, Flávio Machado, Simone Prado, Vinícius de Vita)

"Fresh guacamole"

"Head over heels"

(Robson Ribeiro)

"Maggie Simpson in 'The Longest Daycare'"

(Jacqueline Salgado, Leonardo de Castro, Anderson Torres)

"Paperman"

(Cinthia Kriemler, Fernando Pignone, André Campos, Edweine Loureiro, Ana Beatriz, Matheus Tozzato, Edilaine de Castro, Lohan Lage, Luís Silva, Maria Clara, Lilly Araújo, Leandro Carvalho)


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Amigos, agora... O jeito é aguardarmos a grande festa do Oscar, no dia 24 de fevereiro. Quem será o vencedor??

BOA SORTE A TODOS!

 
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